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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Querida Verónika, nrº10.


Sento-me no meu espaço vazio e começo a sorrir. Tento englobar no espaço a sensação deste novo espaço. Sinto só mais um tédio. O espaço é novo mas os pensamentos continuam os mesmos, por isso já sinto a antecipação de mais tédio na vida. Mas eu precisava de abandonar aquela página, Verónika. Eu entrava lá, era só mais um bafo e lia, só mais um bafo e perdia-me em pensamentos abstractos; alegrava-me ir ver ou então havia aqueles dias em que eu tinha que ir ver só porque sabia que iria pesar ao ver, e quantas vezes não nos temos que carregar com peso perdendo a força e o equilíbrio Verónika?; só mais um bafo para mais uma reflexão e perdia-me na fixação destas minhas sensações. Envolvo-me no que escrevi, porquê escrevi e a que me dirigi - A repetição incessante de escrever pelo mesmo motivo, pelas mesmas pessoas, pelas minhas inconsciências  pelo mesmo cansaço...
E aquela página já não era senão um espaço completo de decadência, precioso em antiguidades que deixei por lá. E eu tenho amor àquilo talvez porque não tenha mais nada para amar. Precisei de fugir dali só para diminuir a febre do meu cansaço mesmo sabendo, de forma inconsciente  que aquilo será sempre a minha fuga e o meu refugio.

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